Há alguns anos atrás, falar que você jogava videogame seria motivo de chacota ou mesmo um prato cheio para ser ridicularizado (chamam isto de bullying hoje). Pouco ligava e me fez forte. Sabia que muito mais que ‘joguinhos’ ali dentro, existia um certo poder incrível de podermos manipular informações. Ok, talvez não tivesse exatamente esta ‘consciência’, mas o que me encantava ia muito além dos dias, neve e noites do Enduro.
Comecei a ter contato com a computação com um MC-1000 (da CCE), posteriormente um TK-85 e, eventualmente, um PC-XT no escritório em que meu pai trabalhava. A memória do Prince of Persia rodando em um monitor CGA de fósforo verde nunca sairá de minha memória.
Façamos um grande salto temporal: resolvi prestar Geografia no vestibular, para poder trabalhar com um tal de Geoprocessamento. Parece que só mudamos o tema, mas existiram várias chacotas ou mesmo frases de ridicularização pela escolha – afinal, a Engenharia de Computação parecia um caminho bem ‘mais natural’ (e financeiramente mais promissor) para quem já trabalhava na área desde cedo.
E acha que acabou? Ainda existe o mesmo paralelo com Mapas e Geoprocessamento. Ainda me lembro perfeitamente de professores da Universidade desestimulando tais aplicações. Ainda vejo hoje nas minhas andanças pelo Brasil no trabalho Instituições de ponta que não conseguem enxergar o poder dos mapas para além da representação gráfica.
Mas como estas histórias se conectam? Graças a visionários como Roger Tomlinson – o pai do SIG – e de Ralph Bauer – o pai dos videogames – a quebra de barreiras e paradigmas foi possível. Mapinhas e joguinhos não são o foco principal. A mudança na forma como nos relacionamos com o Território e Sociedade sim.
Mas minha minha aproximação tecnológica não foram os Sistemas de Informações Geográficas. Foram os jogos: por meio de um Telejogo Philco-Ford, um Odyssey (Odyssey2 lá fora) e um Atari. Hoje, nossos jogos se aproximam – se não o são – verdadeiros Sistemas de Informações Geográficas. Pense nas cidades que você já construiu – ou destruiu neles. Pense
Fica aqui a homenagem aos dois grandes nomes da humanidade que mudaram a vida das pessoas – ao menos, a minha, para muito melhor. Obrigado
Para um ótimo final de semana, que tal assistir Ralph Bauer e Roger Tomlinson em ação?
p.s. o título se remete também à ideia que esta é somente a primeiro de várias discussões unindo tais áreas…
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