Inteligência Geográfica e a Transformação Digital: competências básicas na Gestão do Território alavancando oportunidades profissionais

CEREDA JUNIOR, A. Inteligência Geográfica e a Transformação Digital: competências básicas na Gestão do Território alavancando oportunidades profissionais. Revista Digital de Engenharia da APEAESP, no. 1; maio a julho de 2017

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Acesso Revista Online.

 

Tópicos:

  1. A Educação Espacial
  2. Do Dado à Inteligência Geográfica (no Espaço Geográfico)
  3. Transformação Digital e Geografia das Coisas
  4. Tendências e competências para o mercado de trabalho com Inteligência Geográfica
  5. Considerações iniciais
  6. Bibliografia

[…] A sociedade contemporânea enfrenta uma série de grandes e novos desafios, que devem ser superados sob a ótica da resiliência ambiental e social que territorializa-se no Espaço Geográfico já que “toda relação de poder desempenhada por um sujeito no espaço produz um território” (RAFFESTIN, 1993).

No Brasil, como exemplos insuficientes, podemos elencar a crise hídrica, Aedes aegypti, desafios ao setor elétrico, transformações e impactos profundos na política e economia, gestão das Cidades (e as propagadas Cidades Inteligentes), o Agronegócio (e a Digital Farming/Smart Farms), ou seja, intervenções que tem em si impacto direto na produção do território por meio de seus atores “compostos por malhas, nós e redes”, conforme Raffestin em sua obra originalmente publicada em 1980, afirmando que “a intensidade e a forma da ação de poder nas diferentes dimensões do espaço originam diferentes tipos de territórios”.

Esse homo faber, que produz o Espaço Geográfico por meio da territorialização- desterritorialização-reterritorialização, realmente enfrenta novas crises e problemas ou tratamos, de fato, de novas velocidades (Tempo) e escala de abrangência (Espaço) ao processo em “um tempo rápido ao qual se antepõe um tempo lento” (SANTOS, 1996)?

Conciliar interesses da sociedade em suas diversas dimensões, trazendo soluções à demandas e problemas que tem, intrinsicamente, o Território, Paisagem e Lugar como fundamentos basilares, são elementos presentes em toda história da humanidade. Tais competências deveriam ser adquiridas desde a educação básica, mas, especialmente para aquelas formações ligadas ao Planejamento, Gestão e Intervenção no Espaço Geográfico.

Sabendo que “a tecnologia é a sociedade e a sociedade não pode ser entendida ou representada sem suas ferramentas tecnológicas” (CASTELLS, 2003), a Inteligência Geográfica apresenta-se como resposta para tais necessidades, integrando a Ciência Geográfica em suas múltiplas dimensões às Tecnologias, principalmente Digitais. Emergem, assim, cidadãos informados e capazes de tomar decisões, que já estão vivenciando a chamada Transformação Digital; Espaço e Tempo integrados gerando Conhecimento.

Partindo do tema proposto pela Comissão Organizadora do 13º Congresso Nacional de Engenharia de Agrimensura (CONEA) para Conferência e Artigo, procurou-se neste levantar conceitos e discussões para reflexões no âmbito acadêmico e profissional, lançando mão de artigos, proposições autorais e bibliográficas para a integração da Inteligência Geográfica ao processo educacional de maneira abrangente, bem como às discussões em Câmaras e Setores Técnico-Profissionais.

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Storytelling + MApps = Comunicação eficaz – dicas para uma apresentação de alto impacto

Revistar Superinteressante - fevereiro 2017Autor.

A capa da revista Superinteressante de fevereiro de 2017 – assim como muitos periódicos e vídeos/’coaching’ milagrosos por aí – trata do tema “Como falar bem em público“. Não é meu interesse, neste artigo, discutir aspectos psicológicos, técnicas ou mesmo fórmulas mágicas, mas sim apresentar dicas: alguns pontos de reflexão para quem precisa apresentar uma ideia ou resultado que tenha o “Espaço Geográfico” como tema.

Sem arriscar porcentagens – ou artigos que citam porcentagens – o uso indiscriminado do Powerpoint, assim como já foi das transparências em um tempo não-tão-remoto-assim, na maioria das vezes é alvo de brincadeiras, rostos cansados e/ou falta de atenção em uma apresentação tendo como um dos principais problemas: nem ao menos foi criado um ROTEIRO da sua HISTÓRIA. É como culpar o Waze de um caminho que seguimos cegamente: não sabemos, minimamente, o contexto de como chegar.

Pesquisas contemporâneas discutem (não fugimos das estatísticas…) que o poder de concentração máximo das pessoas está entre 10 a 18 minutos; em um ambiente de stress este tempo pode cair pela metade. Ao estar em contato direto com nosso público, seja de maneira presencial ou remota por recursos das Tecnologias de Informação, já temos uma grande conquista: seu tempo e atenção por alguns minutos.

Por isto, a abordagem do storytelling – ou contação de histórias – pode ser uma estratégia para conectar os anseios do seu público-alvo (até mesmo aqueles que ainda são latentes) e o que temos de melhor para atender tais necessidades.

De acordo com a consultoria Endeavour Brasil storytelling é “a prática de se contar uma boa história”. Eu acredito que toda boa história começa com uma mapa. Assim, o storytelling é um meio de dialogar com o público usando a história da empresa, do produto, a necessidade e a expectativa do cliente (JARDIM, 2014).

A partir da sistematização do autor e por meio da apropriação dos conceitos deste (e de outras experiências pessoais acadêmicas e de mercado), gostaria de trazer alguns pontos que podem auxiliar os que lidam com o Espaço Geográfico em suas apresentações de ideias e resultados, avançando no conceito de Storytelling para StoryMaps. Para entendimento (e produção!) assista o vídeo abaixo.

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Conteúdo Gratuito para Transformação Digital – Educação, Ciência e Pesquisa

Esta experiência inovadora, baseada nas melhores práticas Imagem e Esri, promove a ampliação do uso das Tecnologias, não somente no que tange ao já consagrado na bibliografia e aplicações com Geoprocessamento e Sistemas de Informações Geográficas (SIG), mas traz o estado da arte em aplicações GIS, com a nuvem (cloud), Geografia como Serviço (GaaS), GIS 3D, entre outros temas para discussão e prática em poucos minutos

Série Plataforma ArcGIS

Conheça e explore não somente as características básicas do ArcGIS Online e Esri Apps – como criar, analisar e compartilhar mapas online na nuvem (cloud) – mas também como aplicar novas práticas e análises espaciais em seu trabalho, trazendo a Inteligência Geográfica aplicada em seus problemas e soluções territoriais.

  • Crie mapas que contam histórias – Esri Story Maps
    Desde a história da sua vida até os resultados de uma empresa, podemos comunicar tais fatos com mapas. Descubra como comunicar, por meio de mapas interativos, ideias, planejamento, execução e resultados de trabalhos de campo, apresentações e interação multimídia e construção de relatórios, para qualquer tema que envolva a Geografia. Webinar para apoio
Atualização 2017

  • ArcGIS Pro
    Pronto para começar com o ArcGIS Pro? Este material é uma introdução perfeita ao software! O conjunto de lições guiará você, passo a passo, por meio do processo de criação e utilização de mapas em 2D e 3D. O projeto fornece todos os dados que você precisa. Se você possui o software ArcGIS Pro, está pronto para iniciar! Mesmo que você seja um usuário de muitos anos do ArcMap e tenha começado a usar o ArcGIS Pro, ou esteja apenas começando a entender e aplicar a Plataforma ArcGIS, este curso será um marco em sua experiência com GIS.
  • Collector for ArcGIS
    Este material coloca você no papel de gestor de uma equipe de trabalho de campo e lhe desafia a deixar o papel e a caneta de lado no processo de coleta de dados no campo!
    Você aprenderá a publicar camadas a partir do ArcGIS Desktop, criar um mapa web no ArcGIS Online e compartilhá-lo com sua equipe de campo. A partir desse ponto, usará o Collector for ArcGIS para simular inspeções de campo e atualizar os dados no mapa… automaticamente.
  • Análise de Visibilidade no ArcGIS Online
    Já executou análises no ArcGIS Online? Este material lhe guiará de forma intuitiva na execução de uma análise de visibilidade no ArcGIS Online utilizando os dados de terreno (modelo digital de elevação) disponibilizados pela própria Esri.Desenvolva ainda mais as suas habilidades e utilize todos os recursos do ArcGIS Online para obter respostas às suas questões geográficas por meio de análises!

SÉRIE MAPEANDO NOSSO MUNDO

Mapeando nosso Mundo com ArcGIS Online” (Mapping Our World with ArcGIS Online) é um conteúdo exclusivo para difundir importância da Visão Espacial em estudantes de todos os níveis, focado principalmente no Ensino Básico (Fundamental, Médio e Técnico) e permite que professores utilizem ferramentas e materiais para criação, edição, análise, compartilhamento e intervenção por meio de mapas.

Com um conjunto de atividades computacionais, dados e recursos, nossa nova série serve como um complemento valioso para tópicos de ensino relacionado à Geografia Mundial, Sociedade, Ciências do Ambiente ou Ciências da Terra. Os alunos poderão investigar os padrões globais de recursos humanos e físicos, explorar questões de interesse para milhões de pessoas, analisar dados de diversas regiões e desenvolver habilidades essenciais para a compreensão de um mundo caracterizado por vasta quantidade de informação bruta. E, o melhor de tudo, de maneira lúdica!

  • Módulo 1 – Introdução à Investigação Geográfica
    Este módulo introduz os conceitos básicos e ferramentas do ArcGIS Online. Os alunos serão orientados a acessar o visualizador de mapas do ArcGIS Online e os dados e poderão desenvolver algumas competências importantes em GIS como a manipulação de camadas, a navegação no mapa e a identificação de atributos de feições geográficas. Os alunos aprenderão os passos da investigação geográfica – perguntar, pesquisar, explorar, analisar e agir – através do teste de uma hipótese, utilizando para isso as ferramentas do ArcGIS Online.
  • Módulo 2 – A Terra se Move (Geologia)
    Utilizando conceitos de geografia e as ferramentas do ArcGIS Online, nestas duas lições os alunos podem realizar uma série de atividades de observação dos padrões de atividade sísmica e vulcânica ao redor do mundo, analisar as relações desses padrões com os limites das placas tectônicas e as principais características físicas da superfície da Terra, assim como identificar cidades em risco. Os alunos aprenderão a navegar nos mapas web, identificar feições, adicionar camadas, medir distâncias nos mapas, utilizar simbologias… e o mais importante: realizar investigação geográfica!

Breve Histórico

Em 2015, como Gestor de Educação e Treinamento na Imagem (Academia GIS), tive a oportunidade de participar do lançamento da iniciativa de conteúdos grátis para aprendizado, com o objetivo disseminar os conceitos e a adoção da Inteligência Geográfica na Educação, nas diversas indústrias, instituições de governo e público em geral, disponibilizando uma série de materiais educativos para download, que podem ser utilizados para autoaprendizagem acadêmica, em sala de aula ou mesmo para atualização profissional.

Veja aqui a reportagem da MundoGeo sobre o tema.

O poder do “Geo” no Pokémon GO

Observação importante: este texto, originalmente, foi publicado em versão ‘artigo’ em Geração SimCity, Minecraft, Pokémon GO… não! A emergência da Sociedade “Geo” de 16 de julho de 2016.


Capa 68 Geografia Conhecimento Prático
CEREDA JUNIOR, A. O poder do “Geo” no Pokémon GO. Conhecimento Prático: Geografia, São Paulo: Editora Escala, edição 68.

Sobre o autor.

O advento de novas tecnologias sempre traz o que podemos chamar de “quatro ‘des’” desconfortos, desajustes, desafios. E, a cada semana, parece que temos a descoberta, principalmente pela mídia, de temas que estão cada vez mais ligados à Geografia. No entanto, nesta semana, a proporção foi na casa de milhares, em todos os aspectos.

O Pokémon GO, app que ‘acaba’ de chegar ao Brasil, já conquistou grande atenção da nossa imprensa e usuários na internet, sendo, nos últimos dias, o assunto mais procurado em indexadores e discutido em redes sociais.

Em uma era de disputa de hardware e software, cloud e SaaS, entre Sony e Microsoft, a Nintendo mais uma vez se reinventa com o novo app, o Pokémon GO, utilizando o que a Geografia oferece de melhor como experiência para interação das pessoas, por meio de uma experiência que vai muito além do mundo virtual.

O filósofo Pierre Lévy afirma: “O digital e uso intensivo de computadores e redes proporciona uma nova dimensão de interação economicamente e socialmente tangível. O virtual redefine as noções de tempo, espaço e a própria noção de conhecimento”.

ENTRETANTO, O QUE ISSO QUER DIZER NA PRÁTICA?
Podemos até não perceber, mas, a cada dia, a cada novo game ou app, a Geografia está mais presente do que nunca, não apenas no seu sentido cartesiano de coordenadas, mas também dando vida e transformando tudo o que circunda a nossa sociedade.

Estamos vivendo uma mudança de cultura, e não somente uma moda, ou mesmo “geração X, Y, Z, SimCity, Minecraft…”. Sim, eu sou da “Geração SimCity”: planejamento, gestão, zoneamento, ordenamento territorial, mapas. Essas são as palavras- -chave de grande parte de meus artigos de mestrado/doutorado, mas também poderiam ser classificações do próprio SimCity. Zonas, quadras, análise de falta de bombeiros ou polícia, indústrias poluidoras nos limites da tela…

Esta nova “Geração Minecraft”, inundada de vídeos no Youtube, revistas e livros nas bancas e “até” na TV, constrói novas dimensões espaço-territoriais. De um lado, continuo a ouvir de alguns pais – e professores – que o Minecraft não faz sentido; contudo, há outros que conseguem vislumbrar algo mais do que “aquele joguinho estranho de blocos ao qual eles vivem jogando e assistindo”, como a Microsoft, que comprou a empresa criadora Mojang por US$ 2,5 bilhões.

Graças ao exponencial avanço tecnológico, vivemos em uma sociedade em rede, ágil e conectada. A cada dia, estamos nos apropriando mais e mais de ferramentas simples e acessíveis, como esses apps que revolucionam nossa forma de viver. Este é o caso do Pokémon GO, fruto do seu tempo-espaço.

… a Geografia está mais presente do que nunca, não apenas no seu sentido cartesiano de coordenadas, mas também dando vida e transformando tudo o que circunda a nossa sociedade.

De qualquer modo, vale destacar que apesar do boom deste app, os Sistemas de Localização e os Sistemas de Informações Geográficas já vêm sendo usados há décadas por especialistas, ou mesmo #GeoGeeks em ferramentas desse tipo que visam a aproximar pessoas baseadas em dados geográficos. E notem como eles modificam nossa sociedade, trazendo, por exemplo, impactos na saúde pública – como o Tinder, um app tão geográfico quanto o Pokémon GO, responsável por, ao menos, seis surtos de sífilis na Grã-Bretanha.

É por isso que, para muitos, a novidade é “ser Pokémon”, mas a realidade é que jogos deste tipo já existiam até mesmo no Garmin eTrex, ainda sem realidade aumentada, mas com labirintos virtuais e outros.

Conforme apelidou o professor Rui Azevedo, na atual era da “Sociedade da Inteligência Geográfica”, ou “Sociedade Geo”, interagimos com dispositivos e sistemas integrados e interligados por meio de redes de informações, em que a relação não é somente homem-máquina, mas uma relação cidadão-sociedade-tecnologia, na qual é possível a utilização de smartphones, redes sociais e colaborativas, softwares e aplicativos de baixo custo, ou mesmo de padrões abertos.

ANÁLISE ESPACIAL 
Se, antes, falar sobre Geoprocessamento, SIG, Sensoriamento Remoto e Sistemas de Localização (como o GPS) era algo complicado, que envolvia entender sobre configurações de hardware, software e estava restrito a um pequeno número de superespecialistas, hoje, as tais tecnologias estão cada vez mais intuitivas e disponíveis no dia a dia de qualquer cidadão que acompanha desde a previsão do tempo até a criação de rotas de suas viagens, bem como das empresas e dos governos que devem se apropriar delas para o entendimento e a tomada de decisão e de ações territoriais.

Entretanto, como vamos nos apropriar dessas tecnologias ligadas à chamada “Análise Espacial”? Vivemos um momento que não poderia ser mais propício. Isso porque a multiplicidade de sistemas e de sensores remotos, a facilidade no uso de ferramentas cartográficas e a necessidade do homem em ser, estar e se localizar nos permitem usos e abusos do Geoprocessamento.

A Geografia das Coisas, na Era da Consumerização e da Transformação Digital, vai muito além da Internet das Coisas: não estamos falando somente de uma rede de sensores e dispositivos interligados. Estamos falando de uma nova forma de viver, na qual não apenas estamos inseridos literalmente no espaço, como também esse mesmo espaço modifica a nossa forma de viver.

Geração SimCity, Minecraft, Pokémon GO… não! A emergência da Sociedade “Geo”

Artigo publicado originalmente em 16/07/2016

Clique aqui para ler a versão mídia (ED. 68 REVISTA conhecimento prático: GEOGRAFIA) – O poder do “Geo” no Pokémon GO
Conheça também o canal no Youtube.
Sobre o autor.

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O advento de novas tecnologias sempre traz o que podemos chamar de “quatro ‘des’” desconfortos, desajustes, desafios. E, a cada semana, parece que temos a descoberta, principalmente pela mídia, de temas que estão cada vez mais ligados à Geografia. No entanto, nesta semana, a proporção foi na casa de milhares, em todos os aspectos.

O Pokémon GO nem mesmo chegou oficialmente ao Brasil e já temos todos tipos de ‘especialistas’ falando do tema (viva os youtubers) e causou, como dizem os jovens, a quebra da Internet, sendo nos últimos dias o assunto mais procurado em indexadores e discutido em redes sociais.

Pokémon GO já chegou?!

Pokémon GO já chegou?!

Do ponto de vista econômico, em uma era de disputa de hardware e software, cloud e SaaS, entre Sony e Microsoft, a Nintendo mais uma vez se reinventa (desde suas cartas de baralho), mas suas históricas quebras de paradigma não se limitam ao core-business. Estas conseguem fazer com que a empresa capte, como dificilmente outra no ramo, o momento sócio-espacial que se insere, transformando matrizes e/ou vetores em experiências para além de mundos virtuais: em experiências de interação. Com ações que subiram mais de 70%, a discussão não se dá em torno de resoluções mas de aplicações; menos sistema e mais plataforma.

O filósofo Pierre Lévy afirma que o digital e uso intensivo de computadores e redes proporciona uma nova dimensão de interação que é economicamente e socialmente tangível. O virtual redefine as noções de tempo, espaço e a própria noção de conhecimento.

Mas, o que estamos vivenciando? Artigos e vídeos inundam esta mesma nuvem de informações, tentando ser o primeiro a demarcar terreno nestes fenômenos. Agora, precisamos que a Academia também se aproprie, trazendo leituras e críticas calcadas nas novas relações estabelecidas pelas Redes Informacionais, com expressões e impactos no Espaço Geográfico, assim como as empresas, que precisam compreender para além do que os chavões e relatórios de grandes consultorias como estas Mudanças reorganizam os setores produtivos e relações empresariais.

Em comum, temos a informação geográfica associada, não no sentido cartesiano de coordenadas, mas das múltiplas dimensões a esta inerentes.

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Geografia da Saúde ou o “Mapa das Doenças”: do Dr. John Snow à Dengue e Zika Virus

Capa 66 Geografia Conhecimento PráticoCEREDA JUNIOR, A. Geografia da Saúde: um “mapa das doenças” –  do Dr. John Snow à Dengue e ao Zika Vírus. Conhecimento Prático: Geografia, São Paulo: Editora Escala, edição 66.

ou “como a Geografia pode ajudar no combate às doenças?
Sobre o autor.

No início da minha graduação em Geografia na UNESP [a] Rio Claro, em um dos primeiros trabalhos de campo, o ponto de parada de Santa Gertrudes (SP) trouxe um incrível “novo par de olhos”: a Profa. Dra. Sandra Pitton apresentou a problemática presente neste município da alta incidência de doenças respiratórias [1] e, como tal fenômeno, se relaciona com as atividades econômicas do mesmo, visto sua inserção no Polo Cerâmico: eis a Geografia da Saúde, que incrível desvelar!

Integrando dados de visitas in loco e de bases governamentais, variáveis físicas, sociais, ambientais e políticas, utilizando metodologias de análise e tendo os mapas não como apoio pictórico, mas como meio para o entendimento integrado, pode-se não só descrever ou entender um fenômeno, mas possibilitar que pessoas, empresas e os gestores públicos tomem decisões que alterem a vida – e sua qualidade – como a poluição por particulados da indústria ceramista.

Este olhar geográfico, o qual a professora sempre dizia que iríamos desenvolver ao longo do curso, é aquele que o Professor Roger Tomlison citava “quando você descobre a Geografia, ganha um novo par de olhos”. O professor britânico, também Geógrafo e pai dos Sistemas de Informações Geográficas (SIGs, sistemas computacionais que permitem desde a coleta até o processamento e análise de dados geográficos, além do compartilhamento e uso em inúmeros dispositivos), estava falando não de algo intangível, mas que pode se explicar, por exemplo, com o subtítulo de um dos livros que conta uma história real que “mudou o destino de nossas metrópoles”. Continuar lendo

Mapas e arte: Análise Espacial revela a identidade de Bansky

BanskiCatA Geografia, seja sob qualquer viés ideológico ou epistemológico, busca, em sua essência, por padrões. Para que possamos alcançar tais entendimentos e integração, as Análises Espaciais permitem sua operacionalização computacional sendo, como definem Câmara e Davis (2001), ferramentas capaz de mensurar propriedades e relacionamentos, levando em conta a localização espacial do fenômeno de forma explícita.

“Picasso Quote” de Bansky

Talvez o exemplo mais clássico (e muito explorado por mim) é a análise do Dr. John Snow quanto aos casos de Cólera na Epidemia de Londres em 1854. Por meio de três ‘variáveis’ e modelos simples de proximidade, foi possível chegar ao entendimento do surto e da propagação da doença e como erradicá-la.

Outros exemplos “fora da caixa” de Análises Espaciais, como o uso pela Confederação Alemã de Futebol (7×1….), grupos de dança nos EUA utilizando para coreografias e, até mesmo, análise da probabilidade de itens em jogos de estratégia/RPG, nos mostram a utilização e resultados de sua aplicação.

No dia 03 de março, a Análise Espacial permitiu a revelação/confirmação ao mundo da identidade (agora) anônima de Bansky, um dos mais influentes artistas contemporâneos, sendo seus trabalhos em graffiti e estêncil mais conhecidos, além de pintor de telas, ativista político e diretor de cinema. Pesquisadores da Universidade Queen Mary de Londres publicaram o estudo “Tagging Banksy: using geographic profiling to investigate a modern art mystery“, no Journal of Spatial Science, e utilizaram modelos espaciais que são utilizados para investigação criminal, análises ambientais e epidemiológicas.geoprofiling-banksy

Tendo adotado o modelo bayseniano não-paramétrico – a mistura por processo Dirichlet (DPM) – eles utilizaram como amostras de entrada cerca de 140 obras localizadas em Londres e Bristol, revelando padrões espaciais de possíveis locais de moradia do artista intervencionista. Os dados indicaram um pub, um parque e um endereço residencial em Bristol, além de três endereços em Londres. Destes, a maioria coincidia apenas com um morador de Bristol, que já tinha ocupado ou visita regularmente tais áreas.Trail 1

A relação entre a Geografia e Arte vão muito além da Cartografia (afinal ela é 50% técnica e 50% arte) ou de outras formas de apropriação científicas. Assim como no artigo “Guitarras e Mapas” ou mesmo no “Mapa do Amor“, o sentimento, o Lugar são essenciais no descobrimento do mundo, apropriação e sua organização espacial.

Este novo estudo corrobora, além do entendimento que o uso de dados e tecnologias vai muito além da representação gráfica e que a Inteligência Geográfica está em tudo, que uma das dimensões da Análise Espacial se remete à subjetividade das relações entre as entidades geográficas, ou seja, faz-se necessária a abstração do real, anterior e posterior à sua construção cartográfica, visando a Análise do Espaço (Geográfico) de maneira integral e não somente em suas facetas de Análise Espacial (Geométrica).

Em tempo: quem é Bansky? SPOILER