O poder do “Geo” no Pokémon GO

porceredajunior

O poder do “Geo” no Pokémon GO

Observação importante: este texto, originalmente, foi publicado em versão ‘artigo’ em Geração SimCity, Minecraft, Pokémon GO… não! A emergência da Sociedade “Geo” de 16 de julho de 2016.


Capa 68 Geografia Conhecimento Prático
CEREDA JUNIOR, A. O poder do “Geo” no Pokémon GO. Conhecimento Prático: Geografia, São Paulo: Editora Escala, edição 68.

Sobre o autor.

O advento de novas tecnologias sempre traz o que podemos chamar de “quatro ‘des’” desconfortos, desajustes, desafios. E, a cada semana, parece que temos a descoberta, principalmente pela mídia, de temas que estão cada vez mais ligados à Geografia. No entanto, nesta semana, a proporção foi na casa de milhares, em todos os aspectos.

O Pokémon GO, app que ‘acaba’ de chegar ao Brasil, já conquistou grande atenção da nossa imprensa e usuários na internet, sendo, nos últimos dias, o assunto mais procurado em indexadores e discutido em redes sociais.

Em uma era de disputa de hardware e software, cloud e SaaS, entre Sony e Microsoft, a Nintendo mais uma vez se reinventa com o novo app, o Pokémon GO, utilizando o que a Geografia oferece de melhor como experiência para interação das pessoas, por meio de uma experiência que vai muito além do mundo virtual.

O filósofo Pierre Lévy afirma: “O digital e uso intensivo de computadores e redes proporciona uma nova dimensão de interação economicamente e socialmente tangível. O virtual redefine as noções de tempo, espaço e a própria noção de conhecimento”.

ENTRETANTO, O QUE ISSO QUER DIZER NA PRÁTICA?
Podemos até não perceber, mas, a cada dia, a cada novo game ou app, a Geografia está mais presente do que nunca, não apenas no seu sentido cartesiano de coordenadas, mas também dando vida e transformando tudo o que circunda a nossa sociedade.

Estamos vivendo uma mudança de cultura, e não somente uma moda, ou mesmo “geração X, Y, Z, SimCity, Minecraft…”. Sim, eu sou da “Geração SimCity”: planejamento, gestão, zoneamento, ordenamento territorial, mapas. Essas são as palavras- -chave de grande parte de meus artigos de mestrado/doutorado, mas também poderiam ser classificações do próprio SimCity. Zonas, quadras, análise de falta de bombeiros ou polícia, indústrias poluidoras nos limites da tela…

Esta nova “Geração Minecraft”, inundada de vídeos no Youtube, revistas e livros nas bancas e “até” na TV, constrói novas dimensões espaço-territoriais. De um lado, continuo a ouvir de alguns pais – e professores – que o Minecraft não faz sentido; contudo, há outros que conseguem vislumbrar algo mais do que “aquele joguinho estranho de blocos ao qual eles vivem jogando e assistindo”, como a Microsoft, que comprou a empresa criadora Mojang por US$ 2,5 bilhões.

Graças ao exponencial avanço tecnológico, vivemos em uma sociedade em rede, ágil e conectada. A cada dia, estamos nos apropriando mais e mais de ferramentas simples e acessíveis, como esses apps que revolucionam nossa forma de viver. Este é o caso do Pokémon GO, fruto do seu tempo-espaço.

… a Geografia está mais presente do que nunca, não apenas no seu sentido cartesiano de coordenadas, mas também dando vida e transformando tudo o que circunda a nossa sociedade.

De qualquer modo, vale destacar que apesar do boom deste app, os Sistemas de Localização e os Sistemas de Informações Geográficas já vêm sendo usados há décadas por especialistas, ou mesmo #GeoGeeks em ferramentas desse tipo que visam a aproximar pessoas baseadas em dados geográficos. E notem como eles modificam nossa sociedade, trazendo, por exemplo, impactos na saúde pública – como o Tinder, um app tão geográfico quanto o Pokémon GO, responsável por, ao menos, seis surtos de sífilis na Grã-Bretanha.

É por isso que, para muitos, a novidade é “ser Pokémon”, mas a realidade é que jogos deste tipo já existiam até mesmo no Garmin eTrex, ainda sem realidade aumentada, mas com labirintos virtuais e outros.

Conforme apelidou o professor Rui Azevedo, na atual era da “Sociedade da Inteligência Geográfica”, ou “Sociedade Geo”, interagimos com dispositivos e sistemas integrados e interligados por meio de redes de informações, em que a relação não é somente homem-máquina, mas uma relação cidadão-sociedade-tecnologia, na qual é possível a utilização de smartphones, redes sociais e colaborativas, softwares e aplicativos de baixo custo, ou mesmo de padrões abertos.

ANÁLISE ESPACIAL 
Se, antes, falar sobre Geoprocessamento, SIG, Sensoriamento Remoto e Sistemas de Localização (como o GPS) era algo complicado, que envolvia entender sobre configurações de hardware, software e estava restrito a um pequeno número de superespecialistas, hoje, as tais tecnologias estão cada vez mais intuitivas e disponíveis no dia a dia de qualquer cidadão que acompanha desde a previsão do tempo até a criação de rotas de suas viagens, bem como das empresas e dos governos que devem se apropriar delas para o entendimento e a tomada de decisão e de ações territoriais.

Entretanto, como vamos nos apropriar dessas tecnologias ligadas à chamada “Análise Espacial”? Vivemos um momento que não poderia ser mais propício. Isso porque a multiplicidade de sistemas e de sensores remotos, a facilidade no uso de ferramentas cartográficas e a necessidade do homem em ser, estar e se localizar nos permitem usos e abusos do Geoprocessamento.

A Geografia das Coisas, na Era da Consumerização e da Transformação Digital, vai muito além da Internet das Coisas: não estamos falando somente de uma rede de sensores e dispositivos interligados. Estamos falando de uma nova forma de viver, na qual não apenas estamos inseridos literalmente no espaço, como também esse mesmo espaço modifica a nossa forma de viver.

Sobre o Autor

ceredajunior administrator